Créditos: Divulgação
01-05-2026 às 16h42
Direto da Redação*
O dia 3 de maio marcará 10 anos desde que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou, por unanimidade, a Resolução 2286. Mais de 80 Estados-membros se comprometeram a proteger profissionais médicos e humanitários da área da saúde, bem como infraestruturas, transportes e equipamentos médicos. Hoje, a organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) convoca os Estados a respeitarem esse compromisso e a protegerem a assistência médica.
MSF atua em mais de 70 países ao redor do mundo, incluindo o Território Palestino, Líbano, Ucrânia, Sudão e Mianmar, além de outras áreas afetadas por conflitos e guerras. Na última década, 21 funcionários de MSF foram mortos em 15 incidentes enquanto desempenhavam suas funções. Somente em 2025, o Sistema de Vigilância de Ataques à Assistência à Saúde (SSA, na sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde registrou um total de 1.348 ataques a instalações médicas, resultando na morte de 1.981 pessoas.
“O que antes era considerado excepcional agora tornou-se comum”, afirmou o Dr. Javid Abdelmoneim, presidente internacional de MSF. “Observamos um flagrante desrespeito à proteção das atividades médicas em países em guerra. Os Estados que se comprometeram a proteger a assistência médica em 2016 precisam parar de se esconder atrás de desculpas e de apontar o dedo, e começar a agir.”
Nos últimos 10 anos, os ataques à assistência à saúde foram diversos e incluíram bombardeios aéreos contra hospitais na Síria e no Iêmen, ataques de artilharia a hospitais na Ucrânia e no Território Palestino, ataques com drones a um hospital em Mianmar, e agressões a ambulâncias claramente identificadas em Camarões, no Haiti e no Líbano. A resposta dos Estados perpetradores tem sido, frequentemente, a negação, a alegação de erro ou acusações de perda de proteção legal sem apresentação de provas. Profissionais de saúde também vêm sendo cada vez mais tratados como suspeitos, em vez de pessoas protegidas pelo Direito Internacional Humanitário.
As consequências imediatas dos ataques são ferimentos e perda de vidas. Já a longo prazo, o impacto é que comunidades inteiras acabam privadas de cuidados vitais, seja porque as infraestruturas de saúde não são reconstruídas, ou porque organizações humanitárias suspendem suas atividades por questões de segurança. Em 2025, as equipes de MSF no Sudão realizaram quase 850 mil consultas ambulatoriais, internaram cerca de 95.600 pessoas e assistiram aproximadamente 29 mil partos. Em Gaza, no mesmo período, as equipes realizaram 913 mil consultas ambulatoriais, internaram cerca de 54 mil pessoas e conduziram 89.800 sessões de saúde mental. Já na Ucrânia, em 2025, as ambulâncias de MSF encaminharam 10.700 pacientes — 60% deles com ferimentos relacionados à guerra — e as equipes médicas prestaram 45.300 consultas ambulatoriais por meio de clínicas móveis, além de realizarem 9.750 sessões de fisioterapia. Quando a infraestrutura de saúde é danificada ou destruída, e quando as pessoas têm medo de sair de casa para buscar atendimento médico, são as comunidades que sofrem.
“A assistência médica em contextos de conflito está extremamente ameaçada, já que ataques contra profissionais de saúde e estruturas de saúde em funcionamento foram registrados em quase todos os conflitos da última década. MSF exige que os Estados respeitem suas obrigações e compromissos estabelecidos na Resolução 2286, garantindo maior proteção e responsabilização. A proteção assegurada a nós e a nossos pacientes pelo Direito Internacional Humanitário deve ser sustentada por ações, e não apenas por palavras.”

