Siderurgia mineira desconectada dos grandes projetos navais brasileiros - créditos: divulgação
16-04-2026 às 09h28
Direto da Redação
Enquanto os empresários da siderurgia mineira literalmente dormem, nas proximidades das coqueirias, o estaleiro baiano recebe a promessa de R$ 136,9 milhões que o Fundo da Marinha Mercante (FMM) acaba de aprovar. E, evidentemente, quando os empresários mineiros acordarem, a indústria naval do Nordeste brasileiro, com foco diretamente na Bahia, estará em alto mar rindo à toa.
A decisão de fazer desaguar sobre o Nordeste essa dinheirama toda foi tomada durante a 62ª reunião do Conselho Diretor do FMN e logo de cara beneficia três projetos da empresa Navegação Aliança Ltda, que, certamente, não dorme em serviço. São projetos visando à construção de embarcações de carga, no estaleiro Enseada, em Maragogipe.
Só para se ter uma ideia do quanto custa a dormida dos empresários mineiros, a iniciativa tomada pelo FMM vai gerar na região cerca de 180 empregos diretos e ampliará a capacidade de transporte marítimo na região. Como não poderia deixar de acontecer, o impacto na logística, no abastecimento e na atividade econômica será inestimável.
“Estamos fortalecendo o setor naval como eixo de desenvolvimento e garantindo entregas concretas para o estado da Bahia, com geração de empregos, ampliação da capacidade produtiva e melhoria da infraestrutura logística. É investimento que se traduz em crescimento econômico, competitividade e oportunidades para a população”, palavras do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
Sem dúvida alguma, os projetos beneficiados são estratégicos para a Bahia, que assim se consolida como polo relevante para a construção de embarcações. E Minas que possui minério de ferro e aço, mais siderúrgicas que podem construir navios, barcos e tudo mais, assiste a transferência de polo para a Bahia.
Otto Luiz Burlier, secretário nacional de Hidrovias e Navegação, assegura que os investimentos vão contribuir também para a integração regional. Como destacou ele, “ao ampliar a capacidade de transporte de cargas, esses projetos contribuem para a integração do Nordeste e para o crescimento econômico da região. É uma política pública que gera emprego e melhora a eficiência do sistema de transporte”, frisou ele.
No próximo 18 de junho de 2026 vai acontecer a 63ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante. Se os empresários da siderurgia mineira estiverem despertos, que apresentem projetos até 20 de abril.
O Fundo financia iniciativas relacionadas com a indústria naval e ao transporte aquaviário. O que inclui também a construção, modernização e reparo de embarcações, além de obras em estaleiros.
Daí o alerta que o Diário de Minas faz, em defesa da siderurgia mineira e, claro, da economia de maneira geral. Afinal, a matéria-prima está aqui, onde as minas são gerais.

