Criptomoeda Bitcoin - créditos: Money Time
04-04-2026 às 09h16
Transcrito da Revista Piauí nº 234, pág 19
McAlester, uma cidade de menos de 20 mil habitantes no estado de Oklahoma, no centro-sul dos Estados Unidos, abriga um dos negócios mais originais do grupo de Magro. A cidade é um lugar pacato e silencioso, mas, a cerca de 5 km do Centro do lugarejo, começa o barulho. À primeira vista, soa como a turbina de um avião entrando em funcionamento, mas são milhares de computadores de alta potência que funcionam 24 horas por dia, sete dias na semana: eles criam moedas virtuais, os bitcoins. Ou, no jargão do setor, eles estão “minerando”.
É uma operação complexa, por meio da qual se criam novas unidades de bitcoins, ao mesmo tempo em que são validadas as transações feitas na moeda virtual no mundo todo para evitar fraudes. Os computadores de McAlester, portanto, estão permanentemente competindo com milhões de outros computadores no mundo para ver quem resolve primeiro os complexos problemas matemáticos que a validação das transações exige. Quem ganha a competição é recompensado pelo trabalho e pelo gasto de energia. O dono do computador, então, recebe novos bitcoins.
O parque de moedas criptografadas de McAlester chama-se Minefficiency, empresa registrada em Delaware, em 2021. De acordo com cálculos de especialistas consultados pela piauí, aos quais a revista apresentou imagens mostrando a extensão da empresa e seu estoque de computadores, a Minefficiency pode produzir algo em torno de 600 mil dólares em bitcoins por mês. Cerca de 30% da arrecadação vira lucro. Com base nessas estimativas, Magro pode ganhar até 11 milhões de reais por ano com a Minefficiency.
Essas fazendas virtuais, como são conhecidas, constituem um investimento regular e legal. A Minefficiency, no entanto, é misteriosa. Em seu site, os textos de apresentação da empresa são vagos. As imagens dos funcionários, que aparecem sentados e sorridentes em reuniões de trabalho, são retiradas de bancos de fotos. Na aba de contatos, indica-se o endereço oficial da empresa. Fica na Rua Singer, nº 88, em São Francisco, Califórnia. O endereço não existe. Documentos oficiais do Texas mostram que a Minefficiency é controlada pela J. Global Energy Holdings Inc., a firma-mãe de Houston.
A Receita Federal suspeita que todas as propriedades de Magro no exterior – sejam as empresas, sejam as mansões – são resultado da sonegação de impostos no Brasil. Esses bens, numa eventual cooperação internacional, poderiam servir para abater a conta do calote. A fazenda de bitcoins, porém, ainda é desconhecida da Receita. E, segundo especialistas, é uma forma bastante comum de lavar dinheiro. O advogado Isac Costa, especializado no assunto, dá uma explicação didática: “Grosso modo, a fazenda de bitcoin é como se você comprasse um bilhete premiado de loteria com dinheiro sujo e, depois da compra, você fosse ‘sacando’ o prêmio com dinheiro limpíssimo.”
Transcrito da Revista Piauí, Nº 234, pág.19.

