Créditos: Divulgação
01-04-2026 às 08h00
Direto da Redação*
Morre o ex-deputado Geraldo Paulino Santanna, de Salinas, no Norte de Minas. Quando a notícia da morte dele chegou a Belo Horizonte consternou muita gente. Afinal, ele foi daqueles políticos conscientes do dever a ser cumprido e por isso e muito mais, como pessoa, exerceu três mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Dos 100 anos que Gerado Paulino Santanna viveu, mais de 70 deles ele empregou no exercício da vida pública. A morte dele foi no dia 29 de março, em Salinas. O Velório da Paz, mobilizou autoridades, amigos e políticos da região.
Ele atuou no início da vida pública como vereador na sua Salinas (1951–1955) e prefeito da cidade (1959–1963 e 2001–2003).
Exerceu postos nos governos Bias Fortes e Clóvis Salgado; ocupou o cargo de secretário de Estado do Interior e Justiça, no período de 1984 a 1987; integrou o primeiro governo Hélio Garcia; e atuou como secretário de Minas e Energia no governo Newton Cardoso.
Dentro do universo de Geraldo Paulino Santanna há amigos fervorosos que lamentaram do fundo da alma, a partida dele, como o professor Paulo Roberto Cardoso, que escreveu uma crônica de despedida ao velho amigo, nestes termos, abaixo:
O ÚLTIMO CARDEAL
Para alguns, Geraldo Santana foi o último dos coronéis da política mineira, para mim, ele foi o último cardeal da política mineira.
Geraldo Santana partiu de nossa turbulenta vida terrena para os céus da eternidade, na casa do Pai. Foi o último grande varão da política mineira. Encarnava com regularidade, de forma exemplar, o tempo, que exigia dos homens públicos coragem cívica, mas também coragem física.
Representou o tempo no qual os chefes políticos de então, como era o seu caso, encarnavam valores de austeridade, lealdade e espírito público. À sua maneira, enfim, foram educadores, orientadores e condutores de homens e de vida.
Despertara paixões de lealdade a favor e contra. Não tinha adversários, mas sim inimigos, em uma viva e clara emulação do conceito de “amigo inimigo” do alemão Klaus Smidth.
Concedeu me Deus o honroso privilégio de conhecê-lo e de privar de sua preciosa amizade. Foi para mim, sempre, o cardeal Geraldo Santana. Aceitava com enigmático sorriso de aprovação ao único tratamento ao único título ao qual entendi poder dispensá-lo.
Vai amigo querido ao encontro do sol que é vida e luz nos céus da eternidade. Nós, seus amigos, aqui estaremos recordando sempre com a dor de todas as saudades.
Adeus, adeus cardeal Geraldo Santanna!
No dizer assertivo do consagrado escritor português José Saramago, “de tanto morrermos aos poucos na morte dos amigos, quando chega a hora de nossa morte muito pouco nos resta a morrer, todos nós, amigos de Geraldo Santanna morremos um pouco com ele

