Créditos: Divulgação
31-03-2026 às 17h24
Direto da Redação*
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Belo Horizonte registrou alta em março de 2026, mas segue em patamar de insatisfação. O índice atingiu 92,3 pontos, avanço de 3,7 pontos em relação ao mês anterior, mas ainda abaixo da linha dos 100 pontos, que separa percepção negativa de positiva. A análise é do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base na pesquisa da CNC.
O resultado indica uma recuperação gradual, mas ainda marcada por cautela. A melhora foi puxada principalmente pela renda atual e pela expectativa de consumo, enquanto o nível de consumo e o momento para aquisição de bens duráveis continuam pressionados. “A alta do indicador mostra um movimento de recomposição da confiança, mas ainda insuficiente para sustentar um ciclo mais forte de consumo. As famílias seguem cautelosas, especialmente diante das condições de crédito e do custo de vida”, afirma a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins.
O índice de renda atual alcançou 102,5 pontos e voltou ao campo de satisfação. Já a perspectiva de consumo subiu para 112,5 pontos, sinalizando expectativa mais positiva para os próximos meses. Cerca de 36,5% dos entrevistados acreditam que irão consumir mais. Por outro lado, o nível de consumo atual permanece baixo, em 79,1 pontos. Quase metade das famílias (49,3%) afirma estar comprando menos do que no ano passado.
O acesso ao crédito também segue como fator limitante. Embora tenha apresentado melhora, o índice ficou em 93,2 pontos. Para 35,2% dos consumidores, está mais difícil obter crédito. “O consumo ainda não reage de forma consistente porque depende de fatores estruturais. A renda mostra sinais de melhora, mas o crédito mais restrito e a insegurança sobre o emprego reduzem a disposição para compras de maior valor”, explica Gabriela Martins.
O indicador de emprego atual ficou em 99,0 pontos, próximo da neutralidade, mas abaixo do nível registrado no ano passado. Já a perspectiva profissional avançou para 97,5 pontos, com 46,3% das famílias esperando melhora nos próximos seis meses. Entre os itens mais sensíveis, o momento para aquisição de bens duráveis segue como destaque negativo. O índice ficou em 62,4 pontos e 68,6% avaliam que não é um bom momento para esse tipo de compra. “A percepção sobre bens duráveis mostra que o consumidor ainda evita compromissos financeiros de longo prazo. Isso reforça um padrão de consumo mais seletivo e estratégico”, completa a economista. O cenário aponta para uma retomada gradual, mas ainda desigual. A confiança cresce, mas o consumo efetivo segue limitado por condições financeiras e expectativas moderadas.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

