Créditos: Divulgação
25-02-2026 às 15h42
Alberto Sena*
Como jornalista egresso das lides jornalísticas de Belo Horizonte, e na condição de aposentado, mas sempre na ativa, trago mochila do tempo pretérito às costas e volta e meia dou uma remexida nela e crio um texto que tenha por base a defesa dos mais necessitados, aqueles que não têm voz nem vez.
Todo ano, quando as chuvas caem a gosto, como agora, as emissoras de TV, rádio e jornal impresso alardeiam os estragos nas cidades culpando as águas abençoadas por tudo.
Se alguma dessas emissoras for aos seus arquivos pode encontrar material farto, mas certamente nenhum sobre as soluções. Se quisesse (mas não é o caso) podiam até editar como imagens atuais, as cenas de anos anteriores por que tudo se se repete.
Pergunto: o que nós, que estamos do lado de fora vendo e ouvindo as notícias sobre os desastres acontecidos, devido as chuvas podemos individualmente fazer? Nada ou muito pouco para não adicionar outra nada podemos fazer de efetivo para socorrer as possíveis vítimas.
Deixo outra pergunta: por que não mostrar menos e apresentar mais material jornalístico, com a oitiva de personalidades de vários setores sobre o que os governos devem fazer para evitar os estragos provocados pelas chuvas?
Acabar de vez com elas não é possível, mas culpá-las é pior ainda porque cria um ranço nas pessoas que, ao contrário de agradecer a Deus por elas, passam a rogar praga. Torcem para parar de chover
Psicologicamente, o noticiário como é apresentado carece de um algo mais. Dividir o espaço pela metade e acrescentar um trabalho em buscar das soluções seria o melhor a fazer. Ainda dá tempo porque as chuvas estão aí.
Claro que a Defesa Civil já tem até mesmo mapeado quais são os pontos de alagamento e suscetíveis a desastres. A mídia poderia ir atrás das autoridades para indagar delas como solucionar os problemas urbanos a fim de evitar que chuvas benditas caiam e possam seguir um caminho sem atropelos.
Bastaria as pessoas de modo geral e os roteiristas das emissoras acrescentarem mais este ingrediente para levar os seus repórteres a aprofundarem nessas questões e assim estariam prestando um serviço de utilidade pública da maior expressão. Afinal, não são as chuvas uma ação negativa dos céus. Ai de nós se não chovesse!
Os administradores das cidades, sim, são eles os principais responsáveis pelos desastres urbanos. As chuvas caem aonde quiserem cair e nós com as mãos juntas e dirigidas para o alto temos só que agradecer.
Os homens usam guarda-chuva e as mulheres sombrinhas. As autoridades, munidas de capas e galochas deviam sair dos seus gabinetes para verem as prioridades urbanas, em consonância com as chuvas.
O mandato das chuvas é eterno, mas exigem ações políticas. E em nome delas, incorporo o direito de pedir desculpas, por elas, sem que tenham culpas.
Mas os cidadãos e a mídia, como fazemos, agora, devem bater nesta tecla: cobrança de vontade e ações políticas dos governantes, para darmos graças a Deus pelas chuvas.
*Jornalista e escritor

