Quadro político em Minas Gerais não tem expressão nacional, Mas Zema é otimista - créditos: Jovem Pam
18-02-2026 às 12h42
Samuel Arruda*
O governador de Minas Gerais tem sido enfático ao rebater análises que apontam uma suposta “perda de força” da direita no Brasil diante do atual cenário político. Em entrevistas concedidas nos últimos meses, Zema argumentou que o fato de haver vários nomes de direita postos à disputa em 2026 não significa fragmentação ou enfraquecimento, mas sim uma estratégia para ampliar o alcance do campo ideológico e fortalecer a alternativa conservadora ao Luiz Inácio Lula da Silva e à centro-esquerda. Segundo ele, a “diversidade de candidaturas à direita” pode gerar mais votos no primeiro turno e reforçar a competitividade no segundo turno, em vez de diluir as chances de vitória do campo conservador.
Zema tem repetido que a direita não está fragmentada nem desunida e que ter mais nomes significa mais capilaridade para atrair eleitores – inclusive os que rejeitam o radicalismo político tão presente no debate nacional. Essa postura também se alinha à sua tentativa de se posicionar como uma alternativa moderada dentro da direita, distinta tanto do PT quanto de segmentos mais duramente associados ao bolsonarismo tradicional.
Mesmo assim, pesquisas nacionais mostram que a projeção pessoal de Zema em uma disputa presidencial ainda é limitada, com intenções de voto que não ultrapassam a faixa dos 4% a 5% em cenários simulados, atrás de outros nomes de centro-direita e de candidatos históricos mais consolidados. Esse desempenho reforça a percepção de que, apesar de tentar reforçar o discurso de força coletiva da direita, ele próprio enfrenta dificuldades para se tornar um polo competitivo nacionalmente.
Para a sucessão de Zema no governo de Minas Gerais, o nome escolhido pelo grupo político do governador foi o de Mateus Simões — até então vice-governador do estado. Inicialmente filiado ao Partido Novo, Simões migrou para o PSD em 2025 numa tentativa de ampliar apoio partidário, obter maior tempo de TV e estrutura para a campanha, mas o que se vê é um vice-governador que vai assumir o governo de Minas se indispondo até com seus prováveis companheiros de campanha.
Apesar dessa estratégia, o desempenho dele nas pesquisas estaduais tem sido muito modesto. Levantamentos recentes mostram Simões com percentuais de intenção de voto ainda na casa dos dígitos mais baixos e bem atrás de concorrentes como Cleitinho Azevedo e Nikolas Ferreira em cenários estimulados — muitas vezes com menos de 5% das menções mostrando que seu projeto de sucessão de Zema ainda não decolou.
Analistas políticos destacam que diversos fatores contribuem para a fraqueza de Simões nas pesquisas:
Alto índice de rejeição registrado em levantamentos anteriores, considerado um obstáculo para atração de votos no interior e nas regiões metropolitanas;
Ausência de projeção própria fora do papel de vice-governador, o que dificulta a construção de uma imagem política própria e autônoma;
Concorrência interna no campo conservador — com nomes como Cleitinho, Nikolas e possivelmente outros — que tem diluído a atenção e o capital eleitoral tradicionalmente associado à direita mineira.
Ao mesmo tempo em que Zema tenta vender a ideia de que a multiplicidade de candidaturas fortalece sua base, o cenário em Minas Gerais ainda é marcado por ineficiência de consolidação de lideranças claras. Além de Simões, outros nomes têm surgido ou sido ventilados nas discussões eleitorais, mas o que se vê em um cenário geral, são nomes dispersos e muita indefinição em Minas Gerais:
Cleitinho Azevedo, que tem liderado algumas pesquisas internas e aparece como peça chave nas articulações regionais;
Nikolas Ferreira, com forte presença nas redes sociais e apoio de parte do eleitorado conservador;
Rodrigo Pacheco, pré-candidato dos sonhos de Lula, não ata nem desata, parece que está mais para deixar a política.
A possibilidade de que partidos maiores ou coligações improváveis se formem para tentar derrotar o grupo ligado a Zema, caso estes nomes continuem ganhando tração, a exemplo de Aécio Neves, presidente nacional do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileiro.
Esses movimentos refletem uma realidade comum em períodos pré-eleitorais: muitos nomes se apresentam, mas sem um consenso claro sobre quem realmente pode liderar um projeto competitivo. Isso acaba criando um ambiente de indefinição e disputa interna no próprio campo da direita, ao mesmo tempo em que fortalece a narrativa de Zema de que “mais opções podem gerar mais votos”.
Entre a estratégia e a incerteza, a defesa de Zema de que a direita “não perdeu força” é, em grande parte, uma estratégia política e retórica para manter coesa uma base que enfrenta desafios tanto no plano nacional quanto estadual. Ele tenta reposicionar o campo conservador como plural e estratégico, em vez de fragmentado e fraco.
No entanto, os dados de intenção de voto — tanto para sua própria pré-candidatura presidencial quanto para o projeto de sucessão com Simões — sugerem que esse discurso ainda não se consolidou na prática. A falta de um líder claro com forte capilaridade eleitoral evidencia que a direita enfrenta um momento de reacomodação, com vários nomes à frente, mas sem um nome dominante evidente no curto prazo.
Assim, enquanto Zema rejeita a ideia de declínio do campo conservador, os números e os movimentos políticos mostram que a direita ainda busca um rumo definido, tanto nas esferas nacionais quanto nos estados — com Minas Gerais sendo um microcosmo dessa disputa.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

