Juliana Duarte e seu marido Pedro Edson Cabral do Restaurante "Cozinha Santo Antônio" - créditos: divulgação
15-02-2026às 13h42
Direto da Redação
O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pedro Benedito Casagrande, do Departamento de Engenharia de Minas (Demin), atualmente subchefe do departamento, nem imagina o tamanho do problema que criou para si e para a instituição a que ele representa.
O que poderia ser uma ocorrência casual e de corrigenda normal, em se tratando de uma pessoa do nível intelectual do professor, virou uma questão que até compromete o nome da renomada UFMG e carece de um posicionamento da Reitora, professora Sandra Regina Goulart Almeida.
Vamos aos fatos: o que será narrado daqui para frente aconteceu na “Cozinha Santo Antônio”, restaurante localizado no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, da chef e historiadora Juliana Duarte, na Rua São Domingos do Prata.
Segundo Juliana, o marido dela, Pedro Edson Cabral Vieira, cadeirante, e a cuidadora dele se dirigiam ao restaurante e depararam com um carro estacionado na faixa de pedestres, impedindo o acesso à rampa de acessibilidade da calçada.
Isto se deu na noite de quinta-feira, 12. Ela foi a um bar próximo e lá identificou o proprietário do veículo, o professor Pedro Benedito Casagrande, pesquisador em Geoprocessamento, Pesquisa Mineral e Geometalurgia, com vasta experiência em projetos de mineração e geociências. Pediu a ele para retirar o carro a fim de que o marido pudesse passar com a cadeira de rodas.
No caminho até o carro, Juliana perguntou ao professor se “ele não tinha vergonha de estacionar na faixa de pedestre”. Ele disse que não. Era “escroto”, mas em seguida, retirou o veículo.
Ela achou que o episódio estava encerrado. Entretanto, o professor “veio por trás da gente e se dirigiu ao meu marido assim:
– Tchau, cadeirante. Espero que você ande muito por aí.
Juliana disse ter ficado “tão abobada, tão nervosa, que nem falei nada”. Mas, na sequência, como contou, o professor ainda entrou no restaurante dela e, sorrindo, perguntou: “E aí, ele voltou a andar?”
A chef disse ter ficado muito abalada. “O que vivemos foi uma violência”, lamentou. Indignada, Juliana registrou um BO – Boletim de Ocorrência – contra o professor na Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, em Belo Horizonte, solicitando providências, e na Ouvidoria do Governo Federal.
O marido dela sofre há quatro anos de uma doença degenerativa que o impede de falar e se locomover, mas encontra-se consciente e ciente de todo o ocorrido. O casal nunca antes passara por algo semelhante.
A história dele é no mínimo dramática, segundo narram seus ex-colegas de Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). Dramática e ao mesmo tempo exemplo desmedido de altruísmo.
Naquele período da pandemia da covid-19, Pedro se ofereceu para teste de uma vacina. É possível que já tivesse alguma propensão, mas foi depois dessa atitude dele, pensando não nele, mas nos brasileiros e por extensão na humanidade, é que Pedro Edson Cabral Vieira desenvolveu a doença degenerativa e ficou na situação em que se encontra hoje, cadeirante.
Diante de um episódio tão desagradável partindo de uma pessoa desse nível de instrução – em qualquer circunstância, inegavelmente, Pedro, o Benedito Casagrande representa a UFMG, aqui ou em qualquer outro lugar – a gente é remetido à pessoa do iluminado professor Darcy Ribeiro, para quem o problema do Brasil é de Educação.
Não basta desenvolver o intelecto nem acumular títulos acadêmicos. Mais importante é se melhorar por dentro, mas a partir do coração, transformando toda a química da sapiência intelectual no caldeirão do amor ao próximo, esse ser humano que se tem revelado desumano até em ações como essas consideradas as mais simples.
Quem está de fora e acompanha essa ocorrência observa que o professor da UFMG devia ter pensado mil vezes antes de tomar as atitudes que tomou, que bem denunciam o seu temperamento. Pelo que se pode depreender de tudo isso, ele vai se arrepender para o resto da vida pessoal e profissional.
Há quem passou a vida inteira construindo a sua reputação e um deslize como este acaba comprometendo e até destruindo o que foi construído com esforço. Em um impulso de prepotência e deboche de quem está numa cadeira de rodas acompanhado da esposa e da cuidadora, joga tudo por terra.
Em virtude do acontecimento, o vice-governador Mateus Simões diz que vai romper contratos do Estado “com suspeito de ofender cadeirante em BH”. Afirmou ele que vai determinar o rompimento de qualquer contrato do governo estadual com o professor envolvido.
Por seu turno, a Reitora da UFMG reagiu dizendo que a instituição “reafirma não tolerar qualquer conduta discriminatória e que viole a dignidade humana ou os direitos fundamentais. Seus servidores devem pautar sua atuação pelos princípios da legalidade, da moralidade, da ética e do respeito irrestrito dos direitos humanos, dentro e fora do ambiente universitário, nos termos da Lei que rege as ações de servidores públicos”.

