Manifestação de indígena no STF - créditos: divulgação
15-02-2026 às 07h42
José Altino Machado*
Além de samba, num pelado carnaval com alguma sem-vergonhice, temos todos nós, novo folguedo tão somente brasileiro.
A televisão em canal aberto, que custa uma nota manter e ainda exige inteligência para atrair telespectadores, estava em baixa notável, perdendo para um porqueira de telefone no qual qualquer escreve o que deseja com toda liberdade. Pelo menos por enquanto…
Entretanto, nestes tão enfastiosos dias, de pouca festa e apenas muitas sacanagens nas novelas, ainda assim, ela renasceu. Tal qual uma fênix, mas sem nenhuma beleza, do que trazia, se fez presente com curiosidade e assiduidade, em lares e bares brasileiros.
Mistureba danada… pouco importando a eles se seria bom ou ruim à consciência nacional, se a folia fosse gerada por imagens do sagrado templo da justiça. E ninguém realmente se importou. Na verdade, entre um lado e outro, assim como neutros torcedores, queriam mesmo era ver em que merda irá acabar.
Nos veio uma “Tofilada” com gosto e gás. Ruim de comentários por ser algo jamais visto de forma estapafúrdia. Dizer que outros também não se valeram do cargo, mentira extrema, mas chegar onde se chegou via inquérito policial, aí é humilhante. E ainda além de se segurar na cadeira confiada em ser da imparcial justiça, queria sair não, sequer da relatoria do processo em que ele próprio estaria envolvido.
E nem a própria lei, acompanhada do decoro deu jeito, foi preciso uma baita reunião de todos, onde pelo menos a turma do deixa disso não compareceu, para que ele se arredasse da escrita processual.
Um procedimento temerário com grave desrespeito à Casa, gravíssimo, bem mais que a do inocente baton feminino e seus respectivos 14 anos de xilindró. E acho que o Kojack estava lá também.
De lado com seriedade, nos veio outro ministro togado, que visitara uma área indígena sem ser bem de sua conta. Baixou a caneta e numa penada veio a equacionar um problema de gerações.
Exploração de bens minerais em territórios cedidos a ocupações de povos originários. Em princípio assustou muito fosse ele a tomar a medida e por que não a tal decisão. Achei um tanto imponderada a decisão temperada com ordem monocrática.
Acredito que à frente a alta Côrte sofrerá um estouro boiadeiro, como aquele guardado no passado do ex-ministro do meio ambiente que preconizava que enquanto a boiada passa, vamos aproveitando. Tudo e todos haverão de buscar esta porta para acessar seus direitos, discutíveis ou não
Porém, eita Brasil dos poréns, sempre há monte deles. Não seria bem esta cuidadosa senhora que estaria sempre de olhos vendados a resolver e constituir tais direitos. Se bem que o que Min Dino fez foi mostrar a todo o país a inércia, inação e omissão de muitos despreparados que vão passando tal qual ventos e chuvas de verão.
Se bem-visto e com justiça analisarmos a decisão proferida ele apenas fez o que muita gente desde longínquo passado, ainda que, lhes confiado e pagos a fazê-lo, não fizeram.
Embora tenha imaginado há tempos, que a grande prioridade quanto aos povos que hoje ele intenta ajudar, auxiliar, cuidar, o que fosse, seria a nível de federação se reconhecer se os povos originários, designação besta, são nacionais ou não, com deveres e direitos, como está estipulado que “todos são iguais perante a lei”.
Lembrando que, nessa mesma área e com essa mesma etnia, aconteceu fato terrível, ainda não totalmente esquecido, de um grupo de mineradores artesanais, dezenove (19), buscados por um próprio segmento tribal deles, sem acordo de partilha com outros, foram emboscados, torturados e mortos frente a câmera de televisões. Matéria construída por ongs da época e enviada à exibição pelo rede SBT.
Ato absurdo, criminoso, sem maiores apurações, até os presentes dias e com o mal cheiro da total impunidade.
Também bem por isso, se não, autônomos, que se lhes deem autonomia econômica de vida e política sem maiores interferências a não ser buscando ações corretivas dos seculares problemas a eles causados pela dominação da força, da cultura e da economia. Trazendo junto, penalidades por malfeitos a outrem.
Algo precisa ser feito. Antes que outros ministros, levados por sentimentos de cuida, atropelem novamente o que está escrito, causando incertezas e mais desajustando o que justo não está…
De qualquer forma, ações e participações precipitadas como essas expõem fracassos administrativos governamentais. Não só desse, mas de tantos outros perdidos nos esquecimentos das políticas reinantes e nas boçalidades emanadas pela ignorância.
Entretanto, uma pena e um absurdo, uma nação maravilhosa se permitir esvair pelos ralos, em companhia de tantos dejetos, que apesar de conhecer seus berçários, não estamos sabendo combatê-los sequer na prosa comum da urna eleitoral.
Caminhamos todos de mãos dadas à uma loucura total. O preço a pagar por gerações vindouras será enorme. Deixando à mostra que reparos poderão inexistir. Não havendo banco de escola, cadeia, famílias com rígidas criações, com sucesso na busca de corretas trilhas, tendo em vista o que agora se assiste.
Em 2005, escrevi um artigo com o título “Nos Trigais do PT”, onde mais que reconhecia neles, as buscas aos acertos, da administração responsável e da imposta honestidade. Hoje ao que vejo, sem nenhum objetivo ou planejamento seguem carregando o trigo, comendo o pão a sós e sequer farelos aos porcos deixando cair.
BH/Macapá, 15/02/2026
(*) José Altino Machado é jornalista
Nota do autor: nesta data completa 21 anos, meu caçula Marco Tulio. Estudante de direito, contumaz e carinhoso auxiliar deste escriba.

