Cresce os acidentes do trabalho - créditos: divulgação
13-02-2026 às 12h20
Alcindo Batista*
O Brasil registrou 380.376 acidentes de trabalho e 1.689 mortes apenas no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. O volume representa crescimento de quase 9% nas ocorrências e de mais de 5% nos óbitos em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço dos indicadores acende um alerta para 2026. Diante desse cenário, em matéria divulgada pelo portal Mundo RH, a Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST), o cenário torna este ano decisivo para redefinir a forma como empresas tratam a prevenção de riscos ocupacionais.
A entidade defende que a redução dos índices passa por três pilares: qualidade técnica na adoção de medidas de segurança, inovação responsável e compromisso efetivo com a preservação da vida.
Crescimento pressiona empresas a rever práticas
O aumento dos acidentes ocorre em um momento de retomada de atividades industriais e aquecimento de setores operacionais, o que amplia a exposição a riscos em ambientes produtivos.
Especialistas apontam que parte das ocorrências está relacionada à falha na avaliação adequada dos riscos e ao uso incorreto ou inadequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho indicam que quase um terço dos afastamentos na indústria está ligado ao uso inadequado de EPIs, situação em que o equipamento existe, mas não corresponde às exigências da função ou do ambiente.
Prevenção deixa de ser obrigação formal e vira estratégia
Atualmente, pesquisas mostram que é importante que esse debate saia do campo exclusivamente regulatório e ganhe caráter estratégico.
Em um ambiente produtivo mais competitivo e com margens pressionadas, acidentes representam impacto direto em produtividade, afastamentos, custos previdenciários e reputação empresarial.
A entidade reforça que 2026 deve marcar uma virada na cultura de prevenção, com maior integração entre tecnologia, qualificação técnica e escolha adequada de equipamentos.
Cadeia de suprimentos também é impactada
O aumento da preocupação com segurança repercute em toda a cadeia industrial, incluindo empresas do setor de equipamentos de proteção individual.
Distribuidoras de EPIs, como a Net Suprimentos, integram esse segmento e operam no fornecimento de itens voltados à segurança ocupacional para diferentes perfis de empresas. O movimento de revisão das práticas preventivas tende a ampliar a atenção à especificação técnica e à adequação dos produtos às atividades desempenhadas.
2026 como ponto de inflexão
Com mais de 380 mil acidentes registrados em apenas seis meses e crescimento consistente em relação ao ano anterior, o país inicia 2026 sob pressão para reavaliar práticas e prioridades.
Para entidades do setor, o momento exige menos improviso e mais planejamento técnico — sob pena de manter um ciclo de ocorrências que impacta trabalhadores, empresas e a economia como um todo.
*Alcindo Batista é da Search one digital

