Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro - créditos: Jovem Pam
15-02-2026 às 09h07
Samuel Arruda*
À medida que a corrida presidencial brasileira começa a tomar forma para outubro, as últimas pesquisas mostram um cenário competitivo — com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo vantagem, mas enfrentando uma oposição cada vez mais consolidada em torno de figuras do espectro conservador e do centro político.
Os levantamentos eleitorais mais recentes apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aparece como favorito para a reeleição em 2026, liderando tanto cenários de primeiro quanto de segundo turno testados por institutos como Genial/Quaest e Paraná Pesquisas, mas a folga vem diminuindo. Em simulações de segundo turno, Lula mantém vantagem — embora em muitos cenários essa diferença esteja dentro ou próxima da margem de erro, refletindo um aumento da competitividade da oposição.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, Lula teria 43% contra 38% de Flávio Bolsonaro em um confronto direto de segundo turno, a menor margem registrada desde o início do ciclo de pesquisa. Outro levantamento da Paraná Pesquisas aponta empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo turno (44,8% a 42,2%).
Com Jair Bolsonaro (PL) impedido de concorrer em 2026 em função de condenações e inelegibilidade, a direita passou por um processo de reorganização. O senador Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se a figura mais competitiva da oposição, crescendo nas intenções de voto nas últimas semanas, em parte pela busca de unificação dos setores conservadores em torno de sua candidatura.
Nos bastidores, parte do chamado “núcleo duro” da direita tenta reduzir a fragmentação do campo após anos de disputas internas. Governadores e lideranças do PSD e Republicanos articulam coligações e acordos, mas ainda há resistência de setores mais tradicionais e liberais a uma candidatura fortemente associada ao legado de Bolsonaro — cuja rejeição entre eleitores é alta.
As pesquisas também mostram índices de rejeição altos para os principais nomes da corrida. Levantamento do Real Time Big Data revela que 49% dos eleitores afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 48% rejeitam Lula — números que ilustram a forte polarização e a dificuldade de qualquer candidato ampliar seu eleitorado além de sua base de apoio.
Na oposição o contexto de rejeição elevada alimenta a busca de setores centristas por alternativas que possam captar parte do eleitorado insatisfeito ou indiferente aos polos ideológicos. Governadores de estados como Paraná (Ratinho Junior), Goiás (Caiado) e Rio Grande do Sul (Eduardo Leite) têm sido mencionados como potenciais candidatos de centro, embora ainda com números modestos nas pesquisas.
No campo da esquerda e centro-esquerda, Lula continua sendo o principal nome, mas lideranças petistas intensificam articulações para ampliar sua base de apoio dentro do próprio espectro aliado — buscando reduzir a rejeição e responder às críticas de desempenho econômico e segurança pública que persistem entre eleitores independentes.
Além disso, ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente) têm aparecido bem em pesquisas para candidaturas ao Senado em São Paulo, o que indica tentativa de fortalecer o bloco de centro-esquerda no Congresso, numa eleição que se anuncia dura.
Os setores identificados como de centro político enfrentam um dilema estratégico: manter independência e lançar candidaturas próprias ou apoiar um nome dominante de um dos polos para influenciar a próxima gestão? Governadores e líderes do PSD têm trabalhado para consolidar um terceiro bloco competitivo, mas o peso ainda é pequeno nas pesquisas gerais.
Analistas políticos destacam que a capacidade de negociação desse grupo pode ser decisiva no desenrolar da campanha, especialmente se os números de Lula e Bolsonaro continuarem próximos e nenhum deles alcançar uma vitória em primeiro turno. A atuação do centrão no Congresso e nas articulações partidárias pode, assim, ser fator chave para a definição de alianças eleitorais.
A disputa presidencial de 2026 no Brasil mostra Lula mantendo liderança, mas sem conforto de larga vantagem, com a oposição se reorganizando e tentando superar divisões internas. A rejeição alta aos principais candidatos reforça a polarização, enquanto forças de centro tentam encontrar seu papel num cenário eleitoral competitivo e incerto. À medida que o calendário avança, a formação de alianças e a consolidação dos nomes pode modificar o quadro atual — especialmente se novas pesquisas confirmarem tendências de crescimento ou estagnação entre os principais pré-candidatos.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

