Marcelo Aro e Simões Mateus - crédito: Reporter DM
12-02-2026 às 14h22
Samuel Arruda*
À medida que a corrida eleitoral para o governo de Minas Gerais entra no seu oitavo mês antes das convenções partidárias, o que parecia um roteiro relativamente delineado — com o vice-governador Mateus Simões (PSD) como candidato natural ao Palácio Tiradentes — começa a ganhar versões alternativas que agitam os bastidores da política mineira.
Simões, que assumirá o governo no lugar de Romeu Zema (que concorre à Presidência), foi oficialmente lançado como pré-candidato ao governo do estado pelo PSD e assume essa posição com o respaldo formal do grupo que governa Minas desde 2019.
Nos últimos meses, ele intensificou encontros com lideranças municipais e estaduais para construir uma base de apoio robusta, mesmo sem ainda decantar pesquisas que o coloquem em posição de protagonismo frente a outros nomes competitivos no estado.
O secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), figura política com trajetória legislativa e forte trânsito partidário, era visto inicialmente como candidato ao Senado Federal pela federação formada entre União Brasil e PP — coligação que tradicionalmente alavanca campanhas de centro-direita.
No entanto, nos últimos dias, cresceu nos círculos políticos a ideia de que Aro poderia ser projetado como alternativa ao próprio Simões na disputa pelo governo. A motivação central seria a relativa falta de “estatura eleitoral” de Simões — que ainda não decolou nas pesquisas internas do grupo — e o desejo de quadros do União Brasil de ter um nome mais competitivo no tabuleiro estadual.
Essa movimentação inclui conversas sobre a possibilidade de Aro deixar o governo para disputar o governo em vez de apenas o Senado — caso o União Brasil entenda que essa estratégia fortaleceria a coalizão ou atenderia melhor acordos internos.
Nesse novo mapa de alianças, parte do movimento de bastidores envolve também a reorganização interna do União Brasil em Minas. A troca no comando estadual da sigla, com a chegada de aliados ao senador Rodrigo Pacheco (PSD), trouxe tensão ao compromisso assumido anteriormente de apoiar a candidatura de Simões, cujo projeto está ligado ao PSDB/Novo e ao próprio PSD local.
Essa nova configuração interna pode abrir espaço para que Aro, com bom relacionamento tanto no PP quanto no União Brasil, se torne um “nome de consenso” para partes da base que não veem em Simões liderança eleitoral forte o suficiente.
Apesar das especulações, Aro tem negado publicamente qualquer intenção de “fritar” a candidatura de Simões ou de fazer campanha diretamente para o governo — reafirmando seu foco na disputa ao Senado e o apoio formal à candidatura do vice-governador.
Por outro lado, aliados próximos de Aro admitem que, nos bastidores, sua janela política existe e não pode ser descartada caso o cenário de alianças se altere radicalmente ou se houver migração de apoios importantes (como o União Brasil decidindo por uma chapa própria).
O impacto nesse cenário eleitoral de Minas com esse movimento interno ganha ainda mais peso quando se considera o quadro mais amplo da eleição mineira: além de Simões, nomes como Cleitinho Azevedo (Republicanos) e outros pré-candidatos já aparecem em diferentes estudos e pesquisas eleitorais, ampliando a necessidade de coalizões fortes ou candidaturas competitivas.
Se Aro fosse confirmado como candidato ao governo — e não apenas ao Senado — isso exigiria uma remodelação significativa das alianças em Minas, abrindo espaço para negociações que poderiam atrair outras siglas e até repercutir em alianças com forças nacionais, como o PL ou setores do campo presidencialista.
A tensão é grande nos bastidores, e o desenho hoje em Minas Gerais não é uma simples escolha entre nomes já fixos, mas uma negociação contínua entre lideranças partidárias, figuras influentes e movimentos internos que testam a solidez de alianças.
A possibilidade de Marcelo Aro assumir protagonismo maior diante de um possível vacilo da candidatura de Simões segue sendo assunto recorrente nos corredores da política local — embora ainda não lhe confira nenhum status de candidato definitivo. A decisão final dependerá tanto da evolução das pesquisas quanto da capacidade das legendas de consolidar chapas competitivas até as convenções partidárias, programadas para meados de 2026.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

