Créditos: Divulgação
11-02-2026 às 14h30
Alberto Sena*
Legal! Dona Marina Helena Lorenzo Fernândez Silva vai ganhar um filme longa metragem, merecidamente. Ela era a carioca mais montes-clarina que já conheci.
Desde quando morava em Montes Claros, onde nasci (até 1972), grande era a minha admiração por ela. Às vezes, quando a via chegar à casa onde criou o Conservatório Lorenzo Fernandez, na Avenida Coronel Prates, em Montes Claros, ficava admirado como parecia que possuía brilho especial de alma estampado no rosto. Criou, também, a Faculdade de Educação Artística (Faceart) de Montes Claros.
Dona Marina era vivaz! Andava com desenvoltura e parecia ter pressa porque, acho que ia se encontrar com algum gênio da música para compor o seu repertório. Tinha tempo para cuidar do marido e dos quatro filhos e se dedicava à música como se a música fosse um alimento. E era, sim, alimento da alma dela e dos outros.
Não tive convivência pessoalmente, mas estive com ela algumas vezes em sua casa, próxima da Praça de Esportes, devido à amizade com os seus filhos – Ricardo, Antonieta, Eduardo e Irene. Hoje só tenho notícia de Antonieta (@Antonieta Silva e Silverio), mas estou certo, de uma maneira ou de outra todos devem ter seguido as notas musicais da mãe inspiradora de músicos diversos, levando adiante toda a instrumentação dela e do pai.
Ela nasceu em 1926. Seus pais eram o maestro Oscar Lorenzo Fernandez e Irene Sotto. Marina foi criada em um ambiente que comum era as presenças de artistas como Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Arthur Villa Lobos, um privilégio concedido aos iluminados, como também era ela.
O filme, pelo pouco que vi a respeito, está em fase final, sob a direção de Fabiola Versiani Lopes Lacerda, proprietária da empresa Fulo Comunicação e Cultura, que atua no setor de artes cênicas, espetáculos e atividades culturais. De parabéns, ela e a sua equipe estão.
As filmagens permeiam vários lugares frequentados por Dona Marina em Montes Claros, onde chegou para deitar raízes musicais, que se vão multiplicando em notas tiradas de instrumentos vários, pois despertou inúmeros talentos em sua preciosa passagem por este planeta lindo, senão maravilhoso, posso dizer.
Dona Marina era casada com o mineiro Joaquim Silva, e foi para Montes Claros, no Norte de Minas, em 1947. Dois dos quatro filhos, Ricardo e Irene, nasceram em Belo Horizonte, e Eduardo e Antonieta, em Montes Claros.
“Nasci no Rio de Janeiro – ela dizia –, me naturalizei mineira e meu coração está totalmente em Montes Claros, que amo de paixão. É uma gente boa, uma gente que compartilha o afeto. Um pedaço de Sertão, mas um Sertão vivo, forte”, sempre dizia Marina e repetia aos 98 anos de sua destacada existência. Ela faleceu em 27 de janeiro de 2025.
A cultura densa, viva, de Montes Claros tem duas fases: antes e depois de Dona Marina Lorenzo Fernandes. O nome dela é repetido o tempo todo cidade, a cada nota extraída de algum instrumento musical, a partir do piano. (Foto jornal O Norte).
*Jornalista e escritor autor dos livros “Nos Pirineus da Alma”, “Retratos de Nós Mesmos” e “Darcy Ribeiro do Fazimento”, que podem ser encomendados pela internet (WhatsApp 31971792391).

