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10-02-2026 às 10h00
Paulo Cunha*
O ano de 2026 marca um ponto de transição importante para os mercados financeiros globais. Após um período prolongado de juros elevados, inflação persistente e crescimento econômico mais moderado, o cenário começa a sinalizar um novo ciclo, com expectativa de cortes graduais de juros, ajustes fiscais nas principais economias e um ambiente ainda cercado por incertezas políticas.
No Brasil, muitos ativos ainda não precificaram integralmente o impacto de um eventual afrouxamento monetário mais consistente. Títulos de renda fixa prefixados e indexados à inflação continuam oferecendo taxas atrativas e podem se beneficiar de valorização adicional caso a trajetória de queda dos juros se confirme. Para o investidor com horizonte de médio e longo prazo, esses papéis voltam a ocupar posição central na estratégia, desde que haja preparo para oscilações no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a renda fixa pós-fixada segue desempenhando papel fundamental. Produtos atrelados ao CDI, como Tesouro Selic e CDBs, permanecem essenciais para liquidez e reserva de emergência, especialmente em um ambiente que ainda exige cautela e preservação de capital.
Na renda variável, 2026 deve ser marcado por oportunidades seletivas. Apesar da valorização recente, a bolsa brasileira ainda apresenta níveis interessantes, embora a volatilidade deva permanecer elevada, influenciada pelo cenário externo e pelo calendário eleitoral doméstico. Empresas com balanços sólidos, boa geração de caixa e posição financeira confortável tendem a se destacar, como bancos tradicionais, companhias do setor elétrico e grandes exportadoras de commodities.
Além disso, para diversificar os ETFs de small caps permitem capturar o potencial de empresas menores de forma diluída, enquanto os fundos imobiliários podem ganhar tração caso o ciclo de cortes de juros seja mais intenso, já que historicamente apresentam correlação negativa com as taxas e hoje operam, em muitos casos, com preços descontados.
Ativos de maior risco, como as criptomoedas, devem ocupar espaço limitado. Embora possam integrar carteiras diversificadas, seguem sujeitas a oscilações intensas e difíceis de antecipar.
Sendo assim, 2026 não será um ano de apostas, mas de estratégia. Disciplina, diversificação e visão de longo prazo serão determinantes para navegar um cenário que combina oportunidades relevantes e riscos que não podem ser ignorados.
Sobre Paulo CunhaPaulo Cunha é Sócio-fundador da iHUB Investimentos e especialista em mercado financeiro certificado pela ANCORD. Além disso, é palestrante, professor de finanças e possui pós-graduação em financial management pelo INSPER.
Sobre iHUB InvestimentosiHUB Investimentos é uma empresa especializada em assessoria de investimentos credenciada pela XP Investimentos. Possui mais de 5,5 mil clientes, somando mais de R$ 2 bilhões em valores investidos sob custódia.
*Paulo Cunha, especialista em mercado financeiro e CEO da iHUB Investimentos

