Deputado Federal Aécio Neves e senador Rodrigo Pacheco - créditos: divulgação
10-02-2026 às 11h19
Samuel Arruda*
O senador Rodrigo Pacheco tem intensificado as articulações políticas em Minas Gerais com foco na construção de uma candidatura competitiva ao governo do estado em 2026, apostando principalmente na aproximação com o União Brasil e no diálogo com o PSDB. A estratégia busca consolidar uma frente de centro e centro-direita que lhe garanta capilaridade eleitoral e autonomia, ao mesmo tempo em que o afasta de uma dependência direta do PT no tabuleiro estadual.
Nos bastidores, a movimentação mais concreta envolve o União Brasil. Aliados de Pacheco trabalharam para reorganizar o comando da legenda em Minas, abrindo espaço para um alinhamento mais direto com o senador. A mudança na direção estadual do partido é vista como um passo decisivo para viabilizar sua eventual filiação, caso ele confirme a saída do PSD. O União Brasil é considerado estratégico por oferecer estrutura partidária robusta, tempo de televisão e presença relevante em diversas regiões do estado, fatores considerados essenciais para uma candidatura majoritária.
Essa aproximação também tem impacto direto no redesenho das alianças locais. O avanço de Pacheco dentro do União Brasil tensiona acordos anteriores da sigla com grupos ligados ao governador Romeu Zema e ao vice-governador Mateus Simões, que se filiou recentemente ao PSD. O movimento do senador sinaliza a intenção de liderar um novo campo político em Minas, capaz de rivalizar com o grupo atualmente no poder estadual.
Paralelamente, Pacheco mantém diálogo com o PSDB, partido historicamente influente na política mineira. As conversas passam por lideranças tradicionais da sigla, incluindo o deputado Aécio Neves, e têm como objetivo avaliar a possibilidade de uma aliança eleitoral ampla. A interlocução com os tucanos é vista como fundamental para ampliar o alcance da candidatura, especialmente no interior do estado, onde o PSDB ainda conserva bases eleitorais consolidadas.
A construção dessa ponte com o PSDB também reforça o esforço de Pacheco em se posicionar como um nome de convergência, capaz de reunir diferentes forças políticas em torno de um projeto alternativo tanto ao bolsonarismo quanto a uma candidatura identificada diretamente com a esquerda. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha manifestado interesse em vê-lo disputar o governo mineiro, o senador tem evitado compromissos que o vinculem formalmente ao PT neste momento, priorizando uma articulação mais ampla e plural.
Com essas movimentações, Rodrigo Pacheco busca se apresentar como um candidato competitivo e moderado, ancorado em partidos de centro, com capacidade de diálogo transversal e potencial para liderar uma coalizão forte em Minas Gerais. A consolidação das alianças com o União Brasil e o PSDB será decisiva para definir não apenas seu futuro político, mas também o desenho da disputa pelo Palácio Tiradentes em 2026.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

