Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
03-02-2026 às 12h31
Direto da Redação*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pronunciamento em defesa do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (2/2), durante a cerimônia de abertura do Ano Judiciário, realizada na sede da Corte, em Brasília. Em sua fala, Lula afirmou que o Supremo não buscou protagonismo político nem avançou sobre atribuições dos demais Poderes da República.
Segundo o presidente, a atuação do STF ocorreu dentro dos limites constitucionais, mesmo diante de pressões e ameaças sofridas por ministros. Lula destacou que, apesar das adversidades, a Corte manteve o compromisso com a legalidade e com a defesa da democracia.
Durante o discurso, o chefe do Executivo ressaltou o julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Para Lula, o processo respeitou todas as garantias legais. “Os acusados tiveram acesso às provas, amplo direito de defesa e julgamento justo, algo que só existe em um Estado democrático de direito”, afirmou.
O presidente também reforçou que as condenações enviam um recado claro à sociedade. Segundo ele, qualquer nova tentativa de ruptura institucional será novamente punida com o rigor da lei.
A solenidade ocorreu em meio a um cenário de tensão envolvendo o STF, alvo de críticas recentes relacionadas à atuação de ministros em investigações sobre o Banco Master, acusado de fraude bilionária. Nesse contexto, a fala de Lula foi interpretada como um gesto de apoio institucional ao Supremo.
Lula mencionou ainda as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos a ministros da Corte no ano passado, destacando que o Brasil defendeu sua soberania e não se curvou a pressões externas.
Eleições, crime organizado e combate ao feminicídio
Ao abordar o processo eleitoral deste ano, o presidente alertou para os desafios trazidos pelo uso de inteligência artificial e pelas redes sociais. Segundo ele, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisará atuar com rapidez, precisão e rigor, utilizando ferramentas tecnológicas para garantir a lisura das eleições.
No combate ao crime organizado, Lula afirmou que o governo tem intensificado ações para sufocar financeiramente as organizações criminosas. Ele citou a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com outros órgãos, que identificou esquemas fraudulentos ligados a grandes centros de investimento.
“Não importa onde os criminosos estejam ou o tamanho de suas contas bancárias. A Polícia Federal está aprofundando as investigações e todos pagarão pelos crimes que cometeram”, declarou.
O presidente também anunciou o lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que será formalizado nesta quarta-feira (4/2), reunindo os Três Poderes. Lula destacou que, além da punição aos agressores, é fundamental investir em educação e conscientização para prevenir a violência contra mulheres.
“Os agressores devem ser punidos com rigor, mas é preciso educar os meninos e conscientizar os homens de que nada justifica qualquer forma de violência contra meninas ou mulheres”, concluiu.

