Ilustração - créditos: divulgação
01-02-2026 às 07h40
José Altino Machado *
Este Brasil de agora, divisionário, tem se transformado em um grande desconhecido para muitos. Achava que já vira e a tudo conhecia.
Sou do tempo que a um chamado materno ou paterno, aí de filhos que respondessem “queee” em vez de senhor, senhora. Resultava em reprimendas ou castigo, podendo se chegar a alguns coques na cabeça ou palmadas na bunda. E mais, a gente apanhando e muitas pessoas dizendo, besteira, pé de galinha não mata pinto. O que não suavizava em nada o som do chinelo nas nádegas.
Indiscutivelmente, uma época em que a criação do berço importava e muito na preparação para a educação social que as escolas trariam, começando pelo respeito aos próprios bancos escolares e educadores.
Um período da vida em que todos bem sabiam, que a grande forja do comportamento humano, tinha seu nascedouro no seio familiar. Conceitos tão prejudicados, com o exemplo nefasto do Brasil Colônia, quando a própria Coroa, buscando ocupação humana no território de sua maior conquista, pedia, mandava e até pagava para que se copulassem com escravas e índias.
Os homens as engravidavam, partiam para o mundo, deixando mães abandonadas sem maiores condições de criarem seus filhos. Que dirá dar-lhes bons predicados de vida, educação e instrução.
Talvez por isso tenhamos ido de um extremo ao outro, nos permitindo estabelecer culturas novas e mudanças radicais na criação de nossa juventude, aplicando uma errônea democracia ao mundo infanto juvenil, colocando a escanteio os poderes paternos.
Já acontece nesses tempos de países inteiros, vizinhos, ao perceberem um mínimo castigo mais severo aos rebentos na casa ao lado, logo avocar ao Estado, chamando a polícia, contra os pais disciplinadores. Como se tal circunstância fosse o melhor remédio e solução. Não me refiro, entretanto, a excessos inadmissíveis.
No grande exemplo democrata, que agora chega a professores de Deus, nos Estados Unidos, se tem tornado rotina, crianças armadas em tiroteio contra colegas inocentes em educandários. E essa moda parece estar contagiando a muitos além de suas fronteiras e numa imitação tupiniquim parece que nosso país tem achado graça e copiado tais extremas violências.
Engraçado que, enquanto era gente com gente e contra gente, a repercussão era pouca muito pouca. Agora, determinada ocorrência, trouxe panorama diferente aos meios de comunicação, embora muitas mulheres continuassem apanhando e algumas chegando a serem mortas. Não por, nem durante amores com masoquismos ou perversões outras. Simplesmente matadas.
Meninos, que não aprenderam que doí, podem machucar e fazer morrer numa extrema agressividade, partiram para cima de um cão, morador benquisto de toda uma cidade, tida como uma das melhores moradias no país, o encheram de porradas, quebraram seus ossos, criando um martírio que culminou com sua morte.
Aonde chegam nossos jovens? O que tinha a ver o coitado do cachorro chamado Orelha com tão degradante conduta desses pedaços de louca juventude?
Mais pergunto, que criação e educação é essa, que levaram a insanidade comportamental meninos instruídos e até bastante viajados, filhos dessa geração da elite econômica?
E é exatamente aí em que residem as maiores incógnitas. Será mesmo que ninguém percebe meio a relacionamentos pessoais, sejam jovens ou adultos que entre eles muitos podem chegar a extremismos? Não há percepção pessoal que possa prever possibilidades mínimas de afloração de comportamentos brutais ou bestiais?
Lei Maria da Penha…uma como outra qualquer, que entretanto parece mais haver agravado situações de relacionamentos domésticos, ou então, até positivamente trazer a público um pouco da maldade humana. Mas, outra vez, apesar de uma relação muitas vezes de início romântico, não acontece notar-se na intimidade a capacidade, ínfima que seja, do parceiro tornar-se um agressor?
Acredito mesmo que a presença de aparatos de contenção do Estado a más condutas, como estas citadas, incluindo aí o judiciário, socorrem e punem, mas em nada ajudam para que não mais aconteçam.
No fundo imagino que a lei tenha dado efeito contrário tal o avanço das criminosas atitudes ou então que, em um rasgo de pouco saber e interesse, apenas dizemos que deles, ela, Maria da Penha, tenha trazido a luz, ocorrências anteriormente não tão visíveis.
Juntemos aí, uma criação de movimento social moderno de influência também lá das Américas, mundialmente conhecido Me Too. Esse!!!
Esse mesmo, que trata de assédios contrariando manifestação do não, a intimidades abusivas. Me Too tenho aplausos a esta exposição pública de tais incômodos. Mas, como entender aparecerem denúncias destruindo toda uma outra vida, relatando fatos ocorridos há mais que vintênios tornados de difícil comprovação. É possível acreditar que, por outro lado, algum proveito trouxe ao abusado a importunação não desejada…
Pode ser que, em momentos até políticos, estejamos atravessando períodos de conveniências da instabilidade social que o Brasil vem há anos recentes ostentando. A compra de simpatias e vontades para alcance de poderes tem destruído respeitos familiares e pessoais.
O mais grave é turbar a dignidade do trabalho construtivo e produtivo. Em dias de agora, mais vantajoso se tornou, invés do trabalho, transar, gozar, procriar é sair a procurar a bolsa do erário público, que outros fizeram existir. E logo após, calmamente voltarem a investir na cama para aumento da renda própria. Deixando que o produto dela emergido, seja cuida da Nação, desde saúde, criação ou instrução.
Novamente trazendo mais peso, àqueles que realmente contribuem com seus esforços e labor, disponibilizando os benefícios usados pelo boquirroto aproveitador, para tanger sua dependente manada às urnas.
Indiscutivelmente gerências populistas a dirigir um país desintegram famílias inteiras ao retirarem os tão necessários poderes e deveres paternos, que com a dignidade perdida se permitem estar na indolência provocada pelo vício das facilidades recebidas. E mais que nunca atingindo aos humildes, em cujos lares jamais filhos os chamam de senhores.
O que a eles parece bondades e favores, bem em contrário, à falta do respeito criador dos genitores, filhos menores, alcançando a idade do manejo do pensar e da aritmética, seguem rumo às ruas, ganhando bem mais que os tais favorecimentos políticos creditados aos pais. Passando a formar como já visto hoje, a maior coluna de frente do crime organizado.
Àqueles acomodados na riqueza, sem tempo ou preocupação com seus rebentos, sequer saem a procurar a fonte de seus erros, mais se incomodando com falsa vergonha sentida do que eles fizeram, ao exporem o nome da “tradicional Família”.
Na verdade, nem meninos corajosos como aqueles de berço humildes o são, enquanto estes enfrentam policiais, outros malfeitores, balas e tiroteios. Eles, buscando um ser melhor que eles próprios, enfrentaram e causaram a morte do pacífico, cão Orelha.
Que Deus possa recebê-lo e o abrigar.
Toda bondade e maldade nascem no berço, mas só uma lá deve ficar.
BH/Macapá 01/02/2026
(*) José Altino Machado é jornalista
Nota: O rugido da maldade deseducada tem normatizado a violência em nosso país.

