Créditos: Arquivo Pessoal
30-01-2026 às 08h17
Alberto Sena*
Esta foto não tem registro de data, mas, certamente, é da década de 1960, em Belo Horizonte (MG), no Bairro Prado, casa de Dona Altiva Angélica, Dona Tivica chamada.
As duas jovens são filhas dela. A que está na parte mais alta da mureta do jardim da casa é a “Tia Carminha” – Maria do Carmo Santana de Menezes – e a outra é “Tia Célia” – Maria Célia Santana de Assis, que fez aniversário dia 27, mas faleceu no dia 22 deste janeiro.
Nesta quarta-feira, 28, foi rezada missa de “sétimo dia” em intercessão da alma dela, na igreja Cura D’ars, no Prado, em BH.
Se me permitem, quero aproveitar e fazer a leitura desta foto, e chamo a atenção para a Serra do Curral ao fundo, numa época em que a capital mineira respirava ares provincianos. Vinham pessoas de outros estados em busca da cura de doenças respiratórias em BH, de ares tão puros.
Chama atenção também, nesta foto, os veículos ao fundo. O que aparece só uma parte pode ser um fusca. Mais ao fundo, próximo a um poste de energia da rua se pode ver uma Kombi e um veículo, talvez Aero Willys.
Nesta foto – e na maneira de as duas jovens se vestirem, e com os famosos coques nos cabelos – se pode ter uma ideia do quanto BH cresceu e se transformou numa das maiores capitais do País.
Essa mesma casa onde as duas jovens se encontram tinha um alpendre e para adentrá-la bastava empurrar o portãozinho de ferro e o visitante estava praticamente dentro de casa.
Essa foto mostra o quanto as pessoas se foram mudando com o passar do tempo. Ou seriam enquanto vai passando pelo tempo? De um momento para o outro parece que todos foram tomados de um espírito doentio e as muretas das casas se tornaram muros altos ou grades de ferro, dando a impressão de que as famílias ficaram presas em suas próprias casas.
Agora vivemos o período virtual. A desconfiança é tanta e a segurança exige câmeras que podem ser observadas a distância.
A casa de Dona Tivica não existe mais. Depois do falecimento dela a casa foi vendida e quem a comprou derrubou-a para construir um galpão enorme e nele montou uma empresa.
Mas a fotografia permanece viva a registrar um tempo, nem tão longe nem tão perto, mas, é certo, um tempo bom vivido, no qual se era feliz e se sabia disso.
Foto é importante lenitivo para a memória.
*Alberto Sena é Jornalista

