Prof. Mateus Simões, vice de Zema e casal Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas, presidente da AMM e Lud Falcão deputada estadual - créditos: divulgação
23-01-2026 às 15h20
Por Samuel Arruda*
Nos últimos dias, a política em Minas Gerais tem vivenciado um episódio de forte acirramento entre o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que também é prefeito de Patos de Minas, e sua esposa, a deputada estadual Lud Falcão (Podemos). A disputa, que ganhou as redes sociais e as páginas de políticos e imprensa estadual, expõe uma crise de confiança e desgaste nas relações entre o Executivo estadual e lideranças do municipalismo mineiro.
O ponto mais recente da crise se deu após uma ligação feita pelo vice-governador Mateus Simões à deputada Lud Falcão. Segundo nota encaminhada à imprensa pela parlamentar, o teor da chamada foi considerado “desrespeitoso” e “intimidador”, com o vice-governador exigindo que o prefeito Falcão ligasse até a meia-noite para pedir desculpas, sob a ameaça de que demandas políticas deixariam de ser atendidas pelo governo estadual caso isso não ocorresse. A deputada chamou a postura de “machista, covarde e incompatível com o cargo de vice-governador” e criticou o que classificou como tentativa de constrangimento político.
A reação do casal Falcão foi imediata e contundente. Luís Eduardo Falcão, em entrevista à mídia local, classificou a atitude de Simões como “baixa e rasteira”, criticando não apenas o conteúdo do telefonema, mas também a escolha de ligar para a esposa dele em vez de procurá-lo diretamente. O presidente da AMM também afirmou que a controvérsia começou após críticas que fez ao vice-governador relativas ao apoio do governo estadual às cidades, em especial a situações envolvendo a cessão de servidores municipais para a Polícia Civil.
O caso ultrapassou o âmbito dos protagonistas diretos. Lohanna França (PV), líder da bancada feminina na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), manifestou apoio público a Lud Falcão, classificando a conduta atribuída a Simões como “ódio às mulheres” e “patrimonialismo”, além de questionar o uso do cargo público para “intimidação política” em relação à deputada eleita com expressiva votação.
Em um contexto mais amplo, o episódio ocorre em um momento em que a relação entre o Governo de Minas e os municípios já vinha atravessando desafios, especialmente no que diz respeito à distribuição de responsabilidades e repasses financeiros. A AMM, entidade que representa os prefeitos de todas as cidades mineiras, tem reivindicado maior diálogo e soluções eficazes para as demandas municipais, enquanto o governo estadual, liderado pelo governador Romeu Zema (Novo), tem buscado reforçar a gestão compartilhada com os entes locais em debates sobre obras, saúde e tributos.
O que está em jogo, embora a crise tenha tomados contornos pessoais, com insinuações sobre atitudes discriminatórias, ela também levanta questões mais amplas sobre a relação entre poderes e a capacidade de negociação política no estado. Para analistas ouvidos nos bastidores, o episódio pode refletir uma mudança de tom entre figuras do Executivo e lideranças regionais, especialmente em ano de movimentações pré-eleitorais e articulações políticas intensas.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

