Afastamentos por questões psicossocial - créditos: Agência Brasil
21-01-2026 às 14h32
Direto da Redação
No Brasil, os números de afastamento no ambiente de trabalho alcançaram seu recorde, sinalizando um ponto crítico no cenário corporativo nacional. Dados recentes do Ministério da Previdência Social revelam que quase meio milhão de pessoas foram distanciadas dos seus postos de trabalho, atingindo o maior número dos últimos dez anos. Com 472.328 mil registros, o total de licenças de saúde emitidas apresentou uma alta de 68% comparado ao balanço anual anterior.
Segundo a CNN Brasil, 40-45% dos entrevistados no relatório global interno da Fearless Organization destacam que a cultura da hierarquia rígida e o déficit de confiança na gestão são obstáculos centrais para o receio em expressar opiniões ou problemas no local de trabalho. Em uma escala de 0 a 10, o levantamento também evidencia a pontuação média de segurança psicológica no Brasil, que está abaixo da média global (7,1), atualmente entre 6,2 e 6,8.
Este cenário de crise impacta diretamente a continuidade dos negócios. O recorde de afastamentos eleva os custos de turnover e gera uma instabilidade operacional de grande impacto. Além das perdas financeiras com substituições e treinamentos, as empresas enfrentam a queda de produtividade e o desgaste da reputação. Diante dessa urgência, é fundamental entender como integrar a saúde mental e emocional no ambiente de trabalho através da NR-1, transformando a conformidade legal em uma cultura real de cuidado.
Para regularização das normativas da NR-1, as companhias têm o prazo final até o dia 25 de maio de 2026.
A Nova NR-1 e o Gerenciamento de Riscos Psicossociais
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) mudou o patamar da gestão ocupacional. Agora, a saúde mental e emocional deve obrigatoriamente integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso exige que o RH e a alta direção identifiquem perigos invisíveis, como metas abusivas, sobrecarga crônica e isolamento social no trabalho.
A integração da saúde mental na NR-1 serve como uma lente diagnóstica. Ela permite que a empresa avalie se a estrutura organizacional está adoecendo o colaborador. Sem ferramentas adequadas de escuta, esses riscos permanecem ocultos até que se transformem em um Código Internacional de Doenças (CID) de afastamento ou em litígios trabalhistas onerosos.
Diferença entre Denúncia e Acolhimento
Um dos grandes desafios das empresas é distinguir o fluxo de uma denúncia de irregularidade do acolhimento de uma crise emocional.
- Denúncia de irregularidade: Trata de desvios de conduta, como fraudes ou assédio moral, que exigem investigação e sanção.
- Acolhimento emocional: Foca no suporte ao indivíduo em sofrimento, visando a preservação da saúde e a adequação do ambiente.
Para cumprir a NR-1, a organização deve oferecer caminhos claros para ambos, garantindo que o colaborador saiba onde buscar ajuda sem medo de retaliação.
O Papel Estratégico do Canal de Ética
Especialistas do Canal de Ética, empresa especializada em canais de denúncia corporativos, afirmam que a implementação de um canal externo surge como uma solução mais robusta para monitorar o clima organizacional. A neutralidade desse canal favorece a quebra do silêncio, permitindo que os profissionais hoje intimidados possam relatar riscos psicossociais.
Triagem Técnica e Inteligência de Dados
Os especialistas do canal de ética atuam como o braço direito da alta direção, realizando a classificação técnica dos relatos recebidos, separando o que é uma infração ao código de conduta de um risco à saúde mental. Essa triagem garante que o RH receba dados prontos e estruturados para a tomada de decisão, gerando evidências sólidas para os comitês de investigação ou acolhimento.
A utilização dessa ferramenta garante o cumprimento dos três pilares fundamentais da NR-1:
- Identificação: Mapeamento precoce de comportamentos nocivos.
- Avaliação: Análise da gravidade e recorrência dos riscos detectados.
- Controle: Implementação de medidas preventivas antes que o problema escale.
Segurança Psicológica como Ativo de Mercado
A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de “bem-estar” para se tornar uma métrica de risco obrigatória. Empresas que ignoram a segurança psicológica como um ativo estão mais expostas a sanções legais e à perda de talentos para concorrentes que priorizam o capital humano.
O uso de canais especializados permite que a empresa enxergue o problema em sua gênese. Ao substituir a cultura do silenciamento pela cultura da escuta ativa, as organizações não apenas cumprem a lei, mas constroem ambientes sustentáveis e resilientes para o futuro.

