Presidente Lula e senador Rodrigo Pacheco - créditos: divulgação
21-01-2026 às 10h00
Samuel Arruda*
O senador Rodrigo Pacheco (PSD) voltou ao centro das articulações políticas em Minas Gerais ao adotar uma postura mais cautelosa e estratégica sobre seu futuro eleitoral. Embora siga evitando declarações diretas sobre uma candidatura ao governo do Estado em 2026, seus movimentos recentes indicam que a hipótese permanece no radar, condicionada sobretudo ao redesenho do cenário nacional — em especial à eventual candidatura presidencial do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nos bastidores, Pacheco tem sido alvo de investidas de diferentes legendas. O MDB entrou oficialmente na disputa para atraí-lo, com convite feito pelo presidente nacional do partido, Baleia Rossi. A possibilidade é analisada com atenção, assim como as conversas mantidas com o PSB. Nesse caso, porém, aliados relatam resistência do senador em se filiar a uma sigla identificada de forma mais direta com a esquerda, ainda que reconheça a importância desse campo político para a construção de uma candidatura competitiva.
“A ideia é construir uma candidatura de centro, e é claro que a esquerda vai apoiar esse nome”, afirmou um interlocutor próximo ao senador, sinalizando que Pacheco busca se posicionar como um polo de convergência, capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado sem romper com sua trajetória institucional.
O tabuleiro eleitoral mineiro, por sua vez, já começa a ganhar contornos mais definidos. A maioria dos nomes ventilados até o momento está associada ao campo da direita. Pesquisas recentes apontam o senador Cleitinho (Republicanos) como favorito, embora ele ainda não tenha confirmado se pretende disputar o Palácio Tiradentes. Esse cenário reforça, entre aliados de Pacheco, a avaliação de que o ex-presidente do Senado poderia ocupar um espaço hoje pouco preenchido: o de um candidato com perfil moderado, capaz de atrair parte expressiva do eleitorado que apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais em 2022.
Naquele pleito, Lula obteve 6,2 milhões de votos no segundo turno no Estado, o equivalente a 50,20% dos votos válidos. A leitura no entorno de Pacheco é que esse contingente permanece politicamente relevante e, até agora, sem um nome claro que o represente na sucessão estadual.
Do ponto de vista do Palácio do Planalto, a insistência no nome de Pacheco se insere em uma estratégia mais ampla. Minas Gerais segue sendo considerada peça-chave em qualquer projeto presidencial, e a montagem de um palanque competitivo no Estado é vista como fundamental para 2026. A presença de um aliado com densidade eleitoral e perfil institucional, como Pacheco, poderia cumprir esse papel.
Ainda assim, o senador mantém o discurso de prudência. A definição sobre filiação partidária e eventual candidatura depende não apenas das negociações em curso, mas também da configuração final das alianças nacionais e do desfecho das disputas presidenciais. Até lá, Rodrigo Pacheco segue como um nome em observação — e como um dos principais pontos de interrogação do xadrez político mineiro.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

