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12-01-2026 às 11h08
Rodrigo Bourscheidt*
A modernização dos transportes é hoje um dos grandes desafios econômicos e estruturais enfrentados por governos e empresas no Brasil. A crescente exigência por eficiência operacional, controle de despesas e atendimento a compromissos ambientais torna inevitável a adoção de soluções energéticas mais inteligentes. Nesse cenário, a energia solar deixa de ocupar um papel apenas sustentável e passa a se consolidar como elemento estratégico na reconfiguração econômica do setor, sobretudo pela previsibilidade financeira que oferece.
Ao contrário das fontes convencionais, frequentemente expostas à instabilidade tarifária e a variáveis externas, a geração fotovoltaica permite maior controle dos custos ao longo do tempo. Para operadores de transporte público, ferrovias, metrôs, terminais logísticos, portos e frotas corporativas eletrificadas, essa constância favorece um planejamento financeiro mais robusto e amplia a competitividade das operações.
Outro ponto relevante está na redução expressiva das despesas operacionais. A mobilidade urbana e logística demanda elevado consumo de energia, seja para tração, iluminação, sinalização ou suporte à infraestrutura. Com a implantação de usinas próprias ou a adesão a modelos de geração compartilhada, as organizações conseguem diminuir gastos recorrentes e direcionar recursos para inovação, expansão e qualificação dos serviços oferecidos à população.
A energia solar também exerce papel decisivo na viabilidade econômica da eletrificação. A migração para ônibus elétricos, trens e frotas logísticas sustentáveis só se sustenta quando associada a uma fonte limpa, confiável e competitiva. Nesse sentido, a geração solar reduz o custo por quilômetro rodado e atenua a dependência de combustíveis fósseis, historicamente sujeitos a oscilações de preço e instabilidades geopolíticas.
Sob a ótica macroeconômica, a ampliação do uso da energia solar no transporte estimula cadeias produtivas regionais, fomenta empregos qualificados e atrai novos investimentos. Projetos que integram infraestrutura energética e mobilidade impulsionam a inovação, fortalecem o mercado livre de energia e favorecem a descentralização da geração, tornando o sistema mais resiliente.
Há ainda um benefício indireto, mas igualmente relevante: a redução das emissões. Menores níveis de poluição resultam em economia para a saúde pública, aumento da produtividade urbana e valorização dos centros urbanos. Soluções de mobilidade mais limpas contribuem para cidades mais eficientes, atrativas e preparadas para o crescimento.
Dessa forma, a energia solar não se limita apenas a uma decisão ambientalmente responsável, mas se afirma como uma escolha econômica estratégica para a evolução dos sistemas de transporte. Ao combinar eficiência energética, inovação e sustentabilidade, consolida-se como um dos pilares de um modelo de mobilidade mais moderno, competitivo e alinhado às exigências do futuro.

*Rodrigo Bourscheidt é formado em Administração e Negócios pela Faculdade Sul Brasil. Atuou em equipes comerciais e estratégicas de empresas como AmBev, Grupo Embratel (Embratel, Claro e Net) e Grupo L’oreal, antes de se dedicar ao empreendedorismo. Em 2019 fundou a Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis que oferece soluções voltadas para a geração de energia distribuída, onde atua como CEO.

