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29-11-2025 às 11h05
Anna Marchesini*
Nossa cultura se orgulha de ser contra qualquer tipo de agressão física, emocional, psicológica, etc. No entanto, é a mesma cultura que, paradoxalmente, parece glorificar e romantizar a violência em diversas formas de mídia.
É hora de refletir sobre o impacto que isso tem em nossa sociedade.
A mídia tem um papel importante na formação da nossa percepção da violência e do sofrimento alheio. Filmes e séries como “The Jinx” (2015), “The Ted Bundy Tapes” (2019), “Monster” (2003) e “American Psycho” (2000) mostram como a violência pode ser glamourizada e transformada em entretenimento. Esses exemplos mostram como a mídia pode criar uma aura de fascínio em torno de indivíduos violent, perigosos e até mesmo assassinos.
O problema é que, em muitos casos, esses agressores são romantizados e transformados em celebridades, enquanto as vítimas são esquecidas e silenciadas. É um fato chocante que, se perguntarmos aos nomes das vítimas, poucos ou nenhum saberá nos informar. Isso é um reflexo da nossa sociedade, que parece ter sede de crueldade e violência.
A glorificação da violência na mídia pode ter consequências graves. Pode criar uma cultura de aceitação e normalização da violência, tornando mais difícil para as vítimas se manifestarem e buscar ajuda. Além disso, pode inspirar outros a cometer atos violentos, perpetuando um ciclo de violência.
É hora de questionar: como podemos combater a violência se é nela que muitos ganham dinheiro e fama? É hora de refletir sobre o impacto que a mídia tem em nossa percepção da violência e do sofrimento alheio. Não é justo que as tragédias sejam transformadas em entretenimento e que os agressores sejam glorificados.
Tomar consciência disto é um ato de lucidez. Não permita que a dor do outro seja entretenimento. Não consuma a tragédia e o sofrimento alheio. É hora de mudar a nossa cultura e começar a valorizar a vida e a dignidade das vítimas, em vez de glorificar os agressores.
Exemplos de casos que ilustram a problemática:
O caso de Suzane von Richthofen, que assassinou seus pais em 2002 e foi retratado no filme “A Menina que Matou os Pais” (2021).
O caso de Ted Bundy, que foi retratado na série “The Ted Bundy Tapes” (2019).
O caso de Aileen Wuornos, que foi retratado no filme “Monster” (2003).
Não consumir conteúdo que glorifique a violência e os agressores.
Apoiar iniciativas que promovam a conscientização sobre a violência e o respeito às vítimas.
Denunciar casos de violência e agressão.
Promover uma cultura de respeito e empatia para com as vítimas de violência.
É hora de mudar a nossa cultura e começar a valorizar a vida e a dignidade das vítimas, em vez de glorificar os agressores.

